Begonha Camanho
O SILÊNCIO COMO CONDENAÇOM
Ugio e Giana, apesar de nom terem sido julgados ainda, fôrom já condenados a múltiplas penas. A prisom, o isolamento, o desterro… som algumhas das penas impostas polo ‘aparelho do Estado’ que já estám a sofrer. A elas deve somar-se mais umha, aplicada tacitamente polos meios de comunicaçom: o silenciamento.
Desde que na tarde do dia 23 de Julho de 2005 a polícia filtrou as primeiras informaçons sobre as suas detençons, os meios assumírom como correcta, como única, a versom oficial do acontecido. Movidos polo ‘amarelismo’ e pola submissom ao poder estabelecido, jornais, emissoras de rádio e televisons acolhêrom com alegria umha notícia que permitia semear o alarmismo e aprofundar no discurso criminalizador de todo o que ‘cheirar’ a independentismo e insubmissom. Umha linha de actuaçom ‘informativa’ (?) que se repete sistematicamente e da qual também tivemos boas mostras no comportamento mediático em torno da denominada “operaçom Castinheira” e da colocaçom de explosivos reivindicados pola suposta organizaçom ‘Resistência Galega’.
Nestes dous anos transcorridos desde a sua detençom, nengum meio (que saibamos) pediu autorizaçom a Instituiçons Penitenciárias para entrevistar Giana e Ugio. Nengum meio foi ao encontro dos seus familiares, das associaçons anti-repressivas ou da plataforma criada para velar pola sua situaçom e tentar evitar a violaçom dos seus direitos. Muito polo contrário. Apenas tentárom falar com o seu ámbito político mais ou menos próximo para saber se condenavam ou apoiavam as acçons que lhes som imputadas, assumindo sem matizes o discurso ensaiado com êxito polos meios espanhóis no País Basco e que serve de base para promover ilegalizaçons.
Nestes dous anos, os meios galegos informárom apenas de transferências de prisom, imputaçons policiais e tipificaçons fiscais. Nada da sua situaçom nas cadeias espanholas, nada das denúncias de agressons; nada das suas razons, nada da sua verdade. A sua voz nom estivo nengures. Ugio e Giana fôrom condenad@s, também, ao silêncio.
